sábado, 15 de novembro de 2014

FAINA 2!!

Manhã seguinte. Voltámos à mesma praia sensivelmente à mesma hora. Mais uma vez os pescadores fizeram-nos sinais para os ajudarmos a puxar as redes. Mas desta vez estava preparado! Levei as luvas velhas de TT que fizeram toda a diferença. Pude fazer mais força e poupar as costas.



A pescaria desta vez rendeu mais um pouco. Em diversidade e quantidade. O pescado é separado em cestos por tamanho/espécie para seguir para o mercado de peixe. Só se vêm homens nesta atividade. As mulheres não trabalham na faina. Ficam em casa ocupadas com os filhos e as tarefas domésticas.


O catamaran tinha acabado de chegar e estavam com alguma dificuldade em colocá-lo em terra seca pelo que os fomos ajudar. Veio de novo à conversa se queríamos dar uma volta. Normalmente são 8.000 rupias mas já vos conhecemos e fazemos por 4.000! - disse o muhammad.
- Isso é muito dinheiro! - disse eu.
- ok. 3.000! Por ser para vocês..
- Só temos 2000. - respondi eu com ar desinteressado. Mas de não dá... ficamos amigos na mesma! havemos de voltar ao sri lanka! insha'ala!

A negociação prossegue mas eu não dou parte fraca. Dizem-nos que não podemos ir por menos de 2500. Explico lhes que não é uma questão de negociação. Simplesmente só temos efetivamente 2000 para gastar!

Discutem entre si, alegando que 2.000 é pouco e que a maior parte vai para o dono do barco e que assim não compensa. Encolhemos os ombros, acenamos e voltamos as costas. Ainda não tinha dados dois passos já nos estavam a chamar! O estratagema resultou e acabamos por dar uma volta no fantástico catamaran por sensivelmente 6 euricos cada um!

Ajudamos a por a embarcação na água. O peso é considerável. São precisas pelo menos 6 pessoas para o deslocar na areia. Visto um colete e passados uns minutos estamos a deslizar nas águas tépidas do Índico. Que sensação!! Paramos para dar um mergulho. A água aparenta estar mais quente que a temperatura exterior. E está uma brasa lá fora! O muhammad atira um pequeno cabo para perto do local onde nadamos.

For safety! - diz ele.



Vi um documentário onde mostravam tubarões martelo nestas águas quentes. Apesar de de afirmarem que não há perigo, a água é turva e a imaginação não ajuda. Banhoca rápida e saímos da água ainda com os membros todos.



O passeio levou cerca de 30 minutos mas valeu a pena! São estas pequenas experiências que nos enchem o ego e nos fazem viajar. Voltamos a terra e despedimos-nos da tripulação. O muhammad convida-nos para um chá e bananas em casa dele por volta das 17h. Fomos para o hotel descansar que o calor aperta.

17h05 no local da praia combinado. O muhammad aparece no meio dos coqueiros e pede para o seguirmos. Dirige se para o bairro muçulmano. Um vendedor de rua cozinha qualquer coisa. Chama-me, pede me a mão e mete lhe uma colher de grão cozido para provar. Meto o grão à boca. Ena! Isto é bom! Mas não sei em que condições de higiene foi feito. Não arrisco comer mais. Agradeço e seguimos.

Toda a vizinhança trabalha nos catamarans, seja na pesca ou no passeio de turistas. As casas aqui já são de tijolo com telhados de madeira. A sua cada é modesta. Ao bom estilo muçulmano não tem praticamente mobília. Apenas umas cadeiras de plástico empilhadas num canto para as visitas e um calendário na parede. Apresenta-nos a irmã e um dos filhos pequenos. Chega outro membro da tripulação para a conversa. Enquanto os homens falam na sala da vida difícil que levam a mulher prepara um chá, bananas e papadam (uma espécie de folhado, frito em óleo de coco).  O papadam é bom mas dá uma sede!! O chá quente também é saboroso mas com o calor que está hoje não passam uns minutos e ja suo por todos os poros.

A noite cai. Fala-se de diversos assuntos inclusive do tsunami que devastou a ilha. Falam da família e da vida dura que levam. Quase todos tem 2 ou 3 filhos, a escola não é gratuita e tem de andar de uniforme. Mesmo assim são felizes com o que têm.

Mas o tempo passa rápido e chega a hora de nos despedirmos. Trocamos contatos, e prometemos voltar um dia com mais tempo. Gosto muito deste contato com os locais, aprendemos hoje muito sobre estas pessoas humildes, como vivem e as dificuldades por que passam. Somos uns sortudos. Nem fazemos ideia da sorte que temos de ter nascido no nosso cantinho à beira mar plantado.

Amanhã acaba-se esta aventura... mas outra está para vir no inicio do ano. Para vir e para durar!

Ayubowan!!

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