Manhã seguinte. Voltámos à mesma praia sensivelmente à mesma hora.
Mais uma vez os pescadores fizeram-nos sinais para os ajudarmos a puxar
as redes. Mas desta vez estava preparado! Levei as luvas velhas de TT
que fizeram toda a diferença. Pude fazer mais força e poupar as costas.
A
pescaria desta vez rendeu mais um pouco. Em diversidade e quantidade. O
pescado é separado em cestos por tamanho/espécie para seguir para o
mercado de peixe. Só se vêm homens nesta atividade. As mulheres não
trabalham na faina. Ficam em casa ocupadas com os filhos e as tarefas
domésticas.
O catamaran tinha acabado de chegar e estavam com
alguma dificuldade em colocá-lo em terra seca pelo que os fomos ajudar.
Veio de novo à conversa se queríamos dar uma volta. Normalmente são
8.000 rupias mas já vos conhecemos e fazemos por 4.000! - disse o
muhammad.
- Isso é muito dinheiro! - disse eu.
- ok. 3.000! Por ser para vocês..
-
Só temos 2000. - respondi eu com ar desinteressado. Mas de não dá...
ficamos amigos na mesma! havemos de voltar ao sri lanka! insha'ala!
A
negociação prossegue mas eu não dou parte fraca. Dizem-nos que não
podemos ir por menos de 2500. Explico lhes que não é uma questão de
negociação. Simplesmente só temos efetivamente 2000 para gastar!
Discutem entre si, alegando que 2.000 é pouco e que a maior parte vai para o dono do barco e que assim não compensa. Encolhemos
os ombros, acenamos e voltamos as costas. Ainda não tinha dados dois
passos já nos estavam a chamar! O estratagema resultou e acabamos por
dar uma volta no fantástico catamaran por sensivelmente 6 euricos cada
um!
Ajudamos a por a embarcação na água. O peso é considerável.
São precisas pelo menos 6 pessoas para o deslocar na areia. Visto um
colete e passados uns minutos estamos a deslizar nas águas tépidas do
Índico. Que sensação!! Paramos para dar um mergulho. A água aparenta
estar mais quente que a temperatura exterior. E está uma brasa lá fora! O
muhammad atira um pequeno cabo para perto do local onde nadamos.
For
safety! - diz ele.
Vi um documentário onde mostravam tubarões martelo
nestas águas quentes. Apesar de de afirmarem que não há perigo, a água é
turva e a imaginação não ajuda. Banhoca rápida e saímos da água ainda
com os membros todos.
O passeio levou cerca de 30 minutos mas
valeu a pena! São estas pequenas experiências que nos enchem o ego e nos
fazem viajar. Voltamos a terra e despedimos-nos da tripulação. O muhammad convida-nos para um chá e bananas em casa dele por volta das 17h. Fomos para o hotel descansar que o calor aperta.
17h05
no local da praia combinado. O muhammad aparece no meio dos coqueiros e
pede para o seguirmos. Dirige se para o bairro muçulmano. Um vendedor
de rua cozinha qualquer coisa. Chama-me, pede me a mão e mete lhe uma
colher de grão cozido para provar. Meto o grão à boca. Ena! Isto é bom!
Mas não sei em que condições de higiene foi feito. Não arrisco comer mais. Agradeço
e seguimos.
Toda a vizinhança trabalha nos catamarans, seja na
pesca ou no passeio de turistas. As casas aqui já são de tijolo com
telhados de madeira. A sua cada é modesta. Ao bom estilo muçulmano não
tem praticamente mobília. Apenas umas cadeiras de plástico empilhadas
num canto para as visitas e um calendário na parede. Apresenta-nos a
irmã e um dos filhos pequenos. Chega outro membro da tripulação para a
conversa. Enquanto os homens falam na sala da vida difícil que levam a
mulher prepara um chá, bananas e papadam (uma espécie de folhado, frito
em óleo de coco). O papadam é bom mas dá uma sede!! O chá quente
também é saboroso mas com o calor que está hoje não passam uns minutos e
ja suo por todos os poros.
A noite cai. Fala-se de diversos assuntos inclusive do tsunami que devastou a ilha. Falam
da família e da vida dura que levam. Quase todos tem 2 ou 3 filhos, a
escola não é gratuita e tem de andar de uniforme. Mesmo assim são
felizes com o que têm.
Mas o tempo passa rápido e chega a hora de nos despedirmos. Trocamos contatos, e prometemos voltar um dia com mais tempo. Gosto
muito deste contato com os locais, aprendemos hoje muito sobre estas
pessoas humildes, como vivem e as dificuldades por que passam. Somos uns
sortudos. Nem fazemos ideia da sorte que temos de ter nascido no nosso
cantinho à beira mar plantado.
Amanhã acaba-se esta aventura... mas outra está para vir no inicio do ano. Para vir e para durar!
Ayubowan!!

Sem comentários :
Enviar um comentário