Hoje saimos com ideia de chegar ao Adams peak, uma montanha com um templo lá no alto que leva 4h para subir a pé e outras tantas para descer.
Logo à saida de Candy algum corre mal na navegação e o grupo separa se em dois. Eu e o Joe seguimos para sul em direcao as plantações de chá. Começámos a subir a montanha, as curvas sinuosas sucedem se e começam a aparecer as primeiras cascatas e um pouco mais a frente as plantações. A vista é deslumbrante. As plantações percorrem todas as encostas dos montes aos solcalcos como no vinho do porto.A planta do chá é um arbusto rasteiro que parece alcatifar de um verde vivo toda a paisagem a perder de vista. Por todo o lado e uma azafama de volta do cha. Os montes estão picotados de figuras a colher as folhas e a transportá-las em cestos para as várias fábricas da zona. Curiosamente apenas se veem mulheres a fazer estas tarefas. Os homens aparentemente tratam do resto do processo fabril.
Um pouco mais à frente paramos numa fábrica de chá "Macwoods Tea Factory" para tentar comprar uns pacotinhos. Depois de uma breve vista de olhos pela fabrica descobrimos uma pequena loja onde se vende todas as variedades locais do produto. Para muita pena nossa só vendem caixas demasiado grandes para transporte na mota se se estragarem e então optamos por nao comprar. Uma Senhora aproxima-se: Do you want some tea, Sir? With our compliments! - À borlix? Começo a gostar destes Singaleses! O chá era fantástico, muito saboroso e com uma cor laranja muito viva.
- Its´s BOP - Diz ela!!
- BOP? Quem é o BOP? ;)
- Its Broken Orange Pico, Sir!
- Ah Bom!!!
Alguns kilometros depois chegamos a Ruwara Elya, o centro de toda esta atividade. Esta povoacao tem uma particularidade: possui um dos melhores campos de golfe de 18 buracos do sul da Asia que se estende pelo meio da localidade entre edificios e ruas. É um contraste interessante entre o modernismo do golfe e uma povoação que parece ter saido do inicio do século.
Seguimos viagem. Uma placa diz Adams Peak, 27 kms. Está quase! ou talvez nao... coisa que já aprendi aqui foi a multiplicar por 3 as distancias. O tempo de fazer 20kms aqui será o mesmo que fazer 60 kms lá no burgo tuga.
O tempo passa, e os kilometros também e nada de placas na estrada ou pico. Apenas uma pequena faixa asfaltada em muito mau estado que parece serpentear por toda a montanha sem chegar a lugar nenhum. Vamos perguntando ao camponês ocasional e vão nos dando direções. 30 kms depois dos tais 27 começo a achar que ninguém nos compreende. Seguimos em frente que para trás já é impensável!
Um pouco mais à frente um insólito YORN: Um pedestral de vidro com um SANTO ANTÓNIO com o menino nos bracos!! Raio de sitio para encontar isto, a 10.000 kms de distancia no meio de uma montanha perdida numa ilha do Indico! Aos poucos vou começando a compreender a razão. Afinal os portugueses sempre deixaram cá qualquer coisa: começam a surgir algumas campas católicas dispersas ao longo da estrada.
Uns kilometros mais a frente, em plena montanha outro pedestal de alguma dimensão: Uma Nossa Senhora! Perguntei a dois miúdos que iam a passar apontando para o pedestal: - Who is it?
- Mother!! Responderam em unissono!
- Mother of Christ? - Perguntei eu?
- Yes! Confirmaram eles com a cabeca.
O asfalto vai ficando num estado deplorável, mas prosseguimos céleres que o tempo esta a passar e não queremos ser apanhados pela noite.naquelas condições. Outro sabichão (pelos vistos à muitos) opina.outra direccao: Adam´s Peak? Sim Sim!! sao mais 30 kms montanha abaixo! Irra que estes gaijos usam kilometros alentejanos!! Lembrei me da rábula dos gatos fedorentos: É já ali à frente passando a tasca do Barbosa e segue segue segue....
Descemos a encosta aos zig zags durante mais de uma hora. A meio aparece nos um fantástico e misterioso pico no meio da neblina.. será o famoso Adams Peak? Cheira me que não... Não criemos ilusões. Siga para a frente que é caminho!
Finalmente conseguimos nos situar no mapa. Estamos só do lado errado da montanha!! E adivinhem a que distancia? 70 kms do Adams Peak!! Ora isso sao mais 2h de caminho e já se está a fazer de noite. Ficamos a dormir por aqui? - Pergunto eu ao Joe. - Nah.. ainda temos meia hora de luz! Decidimos seguir viagem para sul por outra estrada do mesmo calibre da anterior onde vamos esperar pelo resto do grupo.
Anoitece. O Joe que segue à frente pára à entrada do que parece ser um pequeno hotel de berma de estrada saído de um filme do kusturica. Um personagem pequeno com meia dúzia de dentes na boca com um boné à anaozinho Dunga recebe nos à entrada:
- Hotel? - disse eu desconfiado.
- Yes! - diz o Dunga
- WIFI? - pergunta o Joe
- Yes, Yes!
- Boa! Menos mal.. Quanto custa?
- Yes, Yes!!
Raisparta o anaozinho que diz yes a tudo!! Nisto aparece o Soneca e o Feliz que nos mostram um quarto: 1500 rupies it is!! Olha! Enganei-me. Afinal era o Master Yoda disfarcado de Dunga!
Resultado da negociação: comemos, bebemos e dormimos os dois pela modica quantia de 2000 rupias (+/-6 euros) .E WIFI nem ve-lo!!
O Quarto onde dormimos hoje precisava de um post novo só por si, tal era a qualidade dos acabamentos. Talvez escreva amanha qualquer coisa se não for devorado vivo pelos mosquitos ou pelo resto do bichedo que por aqui abunda!




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