Hoje foi dia de FAINA!! Acordámos com a luz do sol, tomámos um
pequeno almoço reforçado e fomos em direção à praia em frente ao
hotel. A primeira linha de praia é composta principalmente por cabanas
de pescadores feitas de entrelaçado de folhas de palmeira. As casas são
toscas quase medievais, mas esta gente é pobre e a vida do mar não dá
para mais.
Cruzamos-nos com alguns locais: Good morning sir!! dizem nos
sempre que passamos. É curioso o hábito deste povo de nos cumprimentar
sempre que passamos. Até os miúdos param as brincadeiras por uns
momentos para nos desejar bom dia. Atravessamos o aglomerado de palhotas
e dirigimos nos para perto da rebentação. A água para variar está
morna, provavelmente muito perto dos 28 graus. A cerca de 200m um grupo
de pescadores puxa as redes à mão. Um barco teria largado as redes num
longo semi circulo e agora puxavam ambas as extremidades para terra.
Quando nos aproximamos, alguns dos pescadores fazem-nos sinais para
ajudarmos. Começo a puxar. As redes são pesadas. Têm pedras agarradas de
20 em 20 metros para lastro e as malhas são de uma cor viva
avermelhada. A recolha da rede faz se lentamente ao som de cantigas
batendo com um dos pés no chão de uma forma cadenciada de forma a todos
puxarem ao mesmo tempo. Isto é giro mas faz doer as mãos! - penso eu.
Não durámos muito. Após 20 minutos já com as mãos muito marcadas do
nylon e a rede que parecia estar na mesma posição paramos para descansar.
Metemos conversa com outro grupo que se sentava num catamaran. Esta embarcação feita de madeira é típica do sudeste asiático, e o seu
formato manteve inalterado ao longo dos séculos. Querem dar uma volta? -
perguntam eles. A embarcação é fantástica, pintada de vermelho e de um
verde marinho e com uma espécie de vela trapezoidal castanha presa a
mastros de bambu. Do lado esquerdo afastado alguns metros possui um
estabilizador feito de tronco de árvore.
Percebi pela conversa
que são muçulmanos. O patrão da embarcação chama se muhammad e queixa
se que o negócio está fraco. Não sei quanto levam, mas não me mostro
interessado porque sabem que sou turista e não quero ser aldrabado.
Vamos nos tentar informar dos preços praticados e quem sabe voltamos.
Reparamos
que a rede entretanto já está avançada e voltamos para ajudar. Mais 10
minutos e as redes estão finalmente em terra. O resultado da pescaria é
fraco. Quase tudo peixe miúdo. Algumas sardinhas e alguns carapaus,
entre outras espécies pequenas que desconheço. No meio um peixe balão
berra como um sapo. Há dias bons e dias maus, e este não correu pelo
melhor. Os pescadores estão desanimados. 3 horas de esforço para um
resultado medíocre.
Enfim. Amanhã há mais.
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